quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


Quando meus pais se separaram e o pai foi morar longe (uns dois quarteirões da minha casa) eu virei o porta-retrato com a foto dele pra parede e achei que pudesse ser feliz pra sempre ganhando dois presentes de aniversário.

Quando eu mudei de colégio, na quinta série, eu queria brincar de Barbie e assistir chiquititas, mas minhas colegas queriam ficar com os guris da oitava.

Quando eu tava na oitava eu fui a penúltima da sala a beijar. A mais feia da aula conseguiu tal proeza e eu "dei jeito na vida", fiquei com um guri que agora é emo e eu, uma traumatizada (quando ele ler isso, talvez, uma mulher morta).

Quando eu morei sozinha e não tive dinheiro pra comprar um sorvete no fim de semana, eu dei mais valor pro tomate quase estragando na geladeira.

Quando eu vi meu quarto MUITO desarrumado, eu simplesmente deixei ele muito desarrumado.

Quando eu levei o primeiro pé na bunda eu achei um absurdo alguém ter o direito de não me querer e quando levar o vigésimo, continuarei a achar absurdo. Mas quando eu quis dar o pé da bunda eu descobri que eu não era capaz de fazer isso. Não que eu seja uma pessoa muito boa, veja bem, é exatamente o contrário, eu prefiro manter a ponta-pé até ouvir a palavra mágica "Fim" (Explicado os 19 pés, né?).

Quando eu pesei mais que o meu pai eu percebi que os membros da família podem ser os teus piores inimigos.

Quando eu precisei de grana eu vendi minhas coisas e quando eu não precisei também, afinal eu vivo num mundo capitalista.

Quando eu bebi demais eu fiz coisas que eu não acreditaria mas não vou escrever aqui porque, na verdade, eu ainda não acredito.

Quando eu reli tudo isso eu percebi que eu queria escrever melhor, que eu queria aprender mais, que eu queria ensinar mais, que eu queria viver mais. Mas eu não queria, nem por um segundo, esquecer de quem eu sou.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Eu podia estar matando, roubando, mas tô aqui vagabundiando


Estava eu olhando aqueles folders que tem pela faculdade(sim, aqueles que ninguém olha) quando me deparo com: Arrumo guarda-roupas e cômodas. Telefone 99890544.
Minha mãe certa vez tinha dito que só se livraria das obrigações domésticas aqui em casa quem contratasse alguém para fazê-las, a entonação dela foi irônica, porém eu sempre me aproveito da ironia dos outros quando me convém.

Ao encontrar o melhor da PUC não me contive:
- Sabe aquele folder da mulher que arruma guarda-roupas?
- Sim, tu me mostrou outro dia, muito engraçado. Que tem?
- Contratei!
- Ter dinheiro é outra coisa, né?
- Realmente deve ser, porque se eu tivesse contraria uma diariamente pra lavar a louça também.

Lavar a louça. Era a única obrigação que eu tinha, minha mãe achava bonito as pessoas terem uma obrigação e como eu não trabalhava ela queria me dar ocupações. Eu sempre tive certa aversão com compromissos e de qualquer natureza, achava um saco até ter que ligar pro namorado pra dar boa noite e isso que o namorado me dava sexo, coisa que a louça não fazia.

Cheguei em casa, após um dia exaustivo de muita louça e muita professora medindo os trabalhos acadêmicos com fita métrica pra verificar se estavam nas malditas regras da abnt(ahpeganomeuebalança) quando só uma coca-cola cheia de substâncias corrosivas me faria feliz, e contei pra minha irmã sobre o diálogo com melhor da PUC.

- Eu acho que tu vai ser um gênio!
- Quê?
- Tu é diferente de todas as pessoas que eu conheço.
- ? – faço cara de Monalisa e finjo que está tudo bem.
- Eu acho que tu vai inventar uma máquina, algo muito extraordinário.
- Hum – deixei que ela prosseguisse com seu raciocínio.
- Porque a ovelha negra da família – naquele instante eu acabava de ter sido promovida a ovelha negra – sempre se dão bem… ou muito mal. São dois extremos, acho que tu tende a um deles.

Gostei da idéia do gênio afinal de contas todos os gênios são meio malucos, meio maluca as pessoas já diziam que eu era só me faltava então a genialidade.

No outro dia minha irmã e eu assistimos um filme(Um grande garoto – Hugh Grant, 2002), o protagonista tinha 38 anos e não trabalhava, afirmava que não entendia como as pessoas conseguiam tempo para trabalhar mas ao mesmo tempo se sentia constrangido quando alguém perguntava o clássico: O que você faz?

Exceto o fato de que ele tinha o dobro da minha idade e que seus olhos eram bem mais azuis que os meus a identificação foi grande.
Eu chegava atrasada na faculdade, meus colegas comentavam sobre o dia cansativo, sobre o chefe impertinente…

- E tu? Isso são horas? Tava trabalhando até agora?
- Não na verdade eu estava dormindo.

Eu também me sentia constrangida, porque as pessoas achavam que não trabalhar era mais feio que dar na mãe. Por quê? Lindemberg foi definido como trabalhador, isso mudaria o conceito que você tem dele? Nardoni também trabalhava.

Se trabalhar fazia elas mais felizes tudo bem, eu respeitava apesar de não entender o fato de adorarem tanto serem massacradas por um tal de chefe, ser chacota da empresa por serem estagiárias e chegar em casa feias, suadas e com cara de cansadas sem nem vontade de namorar. Desculpa, mas eu preferia ficar em casa enchendo a barriga de doritos queijo nacho, vendo qualquer seriado idiota na tevê e quando o meu namorado chegasse em casa eu estaria disposta, bem humorada e saberia que quando ele falasse as palavras mágicas “Nossa como você está linda” não seriam só para me agradar. Obrigada Hugo(Beauty) e Helena(Rubstein)!

As pessoas achavam que eu estava louca porque eu dormia demais, não tinha grandes responsabilidades, essas coisas todas.

- Mas eu não tenho vontade de trabalhar, tenho vontade de dormir.
- Dormir é o que todos querem.

Se você pudesse fazer algo que todos quisessem e não pudessem você deixaria de fazer? Pra mim se tornava ainda mais excitante, como a sensação de pegar o mais gostoso do colégio, todo mundo quer mas quem pode é você.

Eu achava engraçado que todos os trabalhadores do Brasil me diziam que eram muito felizes, amavam as suas faculdades e seus trabalhos mas não me recordo de tê-los visto de bom humor na Segunda-feira e nem odiando os feriados por não ter que ir para o amado trabalhado e a idolotrada faculdade. Também não me recordo de hora extra sendo feita com prazer, me recordo de ligações aos prantos onde me diziam frases como “não tenho tempo pra nada”, “não sei se vou dar conta”, “só trabalho porque preciso de grana”. Eles que me desculpassem mas essa vidinha feliz eu não queria pra mim.

As pessoas definitivamente não entendiam meu ponto de vista, diziam coisas clichês, frases prontas e eu não tirava um único pensamento da cabeça: criar uma máquina de lavar louça que viesse com um vibrador.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ciúme


- Eu ainda morro com esse ciúme dos infernos! Tenho ciúme da sobrinha dele.
- E eu? Tenho ciúme do cachorro dela. Acredita que aquele bicho ganha mais carinho que eu?
- ¬¬. A chance dele comer a sobrinha é bem maior do que a chance dela comer o cachorro.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ai minha coluna


"Pior do que uma mulher que fala o que pensa é uma mulher que escreve o que pensa"

Imagine então três juntas falando o que pensam?

www.corramary.com

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O que me atrai: nadar nu. O que não suporto: que vão nadar nu e não me convidem.


Seja legal no orkut em 8 passos:

1. Tenha um álbum com o nome "Amigos", outro com o nome "Família" e outro com "Narcisismo"(variações também são aceitas desde que signifiquem a mesma coisa). Vou ali no banheiro vomitar e já volto.

2. Legendas para fotos imprescindíveis: "Amo muito tudo isso", "Brindo a casa, brindo a vida", "Euzinha", "Te amo" e alguma que envolva a palavra-chave: inveja. Aliás, esta palavra-chave deve ser bem explorada, afinal essa pessoa tão invejada deve ser muito legal, né? Também quero ser amiga dela. Oi, quer tc?

3. Deixe scraps pra você mesmo, pode ser com a sorte do dia ou algo como se você fosse super popular, algo do tipo: porque está fuxicando meu orkut? e suas variantes. Ninguém vai ler o que você vai escrever mas você será bem aceito, pode ter certeza.

4. Escreva depoimentos adoidamente, assim as chances de retribuição serão maiores. O importante não é que a pessoa saiba o que ela significa pra você e sim o que vai ficar legal pros outros lerem porque se fosse importante só que ela soubesse não seria necessário aceitar o depoimento.

5. Depois de assistir Big Brother coloque no item Tv do seu perfil a seguinte frase: "Desligue a tv e vá ler um livro" e se algum dia alguém comentar sobre o Rafinha e você se descuidar e falar algo a respeito conserte dizendo que tava passando pela banca de jornal e dizia isso na capa de uma revista e você acabou vendo porque ela tava bem do lado da Superinteressante.

6. No item livros coloque vários e seus respectivos autores, enumere tudo que você já leu na vida aqui(os da coleção meu primeiro amor podem ficar de fora, viu?) ou se não leu nada de autor cool mente que tá lendo de um, se algum infeliz vier comentar a respeito você diz que ainda não chegou nessa parte.

8. Filme: Laranja mecânica, se você entendeu o filme ou não é um fator muito secundário.

7. Música. Se não conhece muito a respeito nada de inventar que gosta de rock progressivo ou indie, coloca apenas "rock" que sempre dá certo, arrisque no máximo um Beatles. E controle a vontade mais instantânea que miojo de ir até o chão quando tocar funk, caso não estiver sóbrio(a) a ponto de controlar vontades pegue o miojo e se enforque.

Maturidade


Até meus 16, 17 anos eu fazia(e pensava) tudo diferente das pessoas da minha idade e quem conversava um pouco comigo me achava muito madura para minha idade. Hoje em dia eu continuo fazendo(e pensando) tudo diferente das pessoas da minha idade e quem conversa um pouco comigo me acha imatura.

sábado, 6 de setembro de 2008

Peixes

"Uma vez estava meu ex, eu e o melhor amigo dele na casa dele. E eram 5 horas da manhã e o amigo não ia embora... olhei pra ele e disse: tu não acha que está sobrando, não? O ex ficou sério e disse: não fala assim com ele. Respondi: tudo bem, então sou eu que estou sobrando, vou embora e tu come ele."

"Bah mas nem para quem te dá bola tu dá bola. Mas eu te entendo. Tu sente raiva das pessoas, né? Eu já passei por isso. A gente tem raiva dos amigos que dão bola porque eles enchem o saco e dos que não dão por não estarem nem aí. Tem raiva dos bem humorados e dos mal humorados também. A gente não sabe nem porque, só sabe que tem raiva. De tudo e de todos, te entendo."

"Eu não entendo, meu namorado vem com uns papos de que quer ter seu espaço, não sei porque quer tanto ter um espaço. Os namorados das minhas amigas não tem espaço, o meu então também não tem que ter. Quer tanto ter espaço vira astronauta duma vez."

"Agora as pessoas resolveram se invocar comigo porque eu estou gorda. Me param na rua pra dizer que eu estou gorda. Acho que não tô agradando, tô poluindo a cidade visualmente."

"O amigo do meu namorado mostrou um vídeo pornô no celular pra ele e eu disse: tu gosta de ver uma mulher dar pra outro? Vou dar pra outro então."

"Eu não sabia que curso fazer quando sai do colégio mas minha mãe me pressionava a entrar na faculdade, daí eu pensei vou fazer letras então. Afinal sempre fui mal em português, nunca sabia quando as coisas eram com 'z' ou com 's'."

"Uma vez eu tava falando no msn com um guri que eu ficava e ele perguntou o que eu tava fazendo, disse que estava comendo pão com leite condensado e ele disse que também queria, eu falei: vou dar pra ti - em uma mensagem e em outra: o pão. Ele disse: tá bem, perguntei: tu vai querer só o pão, cheia de expectativa e ele me responde: não né? O leite condensado também afinal não vou comer pão puro."

"Falei uma coisa pra uma amiga e um guri olhou e disse: é né? Fiquei olhando séria pra ele como quem diz: falei contigo? Ele: tu é muito bonita, mas só vem falar comigo depois que tu emagrecer uns 7 quilos. Respondi: Nem se eu engordar 15 vou querer falar contigo."

Obrigada.